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Segundo um estudo do Departamento de Estatística do então denominado Ministério da Qualificação e Emprego, publicado no Expresso Emprego n.º 1284, 66% das empresas nacionais não dispõem de qualquer tipo de formação profissional junto dos seus trabalhadores.

Apesar desta realidade, o número de horas de formação praticamente duplicou, sobretudo devido ao Fundo Social Europeu.

O mesmo departamento estatístico publicou, em Abril de 1994, o estudo “Demografia das Empresas 1982 – 1992” em cujo resumo se pode verificar que a “elevada taxa de mortalidade infantil e uma esperança de vida à nascença de 11.4 anos, são as principais características que derivam de um modelo de criação de empresas em que predomina a pequena dimensão”.

Segundo o mesmo estudo, a rotatividade do emprego foi, no mesmo período, muito elevada, sobretudo devido às empresas que nasceram no período em análise.

Mas se esses projectos são responsáveis pelo crescimento de emprego verificado, não apresentam um conteúdo que permita a alteração dos dados estruturais em termos de habilitação e qualificação, ao mesmo tempo que empurram para baixo a remuneração média.

No período em análise (1982 – 1992) o número de empresas cresceu para 61 291, enquanto o emprego estruturado registou um aumento de 314 739 postos de trabalho, tendo a dimensão média das empresas passado de 21.5 para 14.6 trabalhadores.

A primeira reflexão a que estes dados nos conduzem prende-se com a tentativa de compreensão das realidades em que o tecido económico e empresarial português se movimenta.

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Orientam-nos duas problemáticas que consideramos indispensável alterar a curto prazo:

    • 1. O baixo índice de qualificação
    • 2. A fraca produtividade da nossa economia

Temos empresas cada vez mais pequenas. Temos empresas que cada vez duram menos anos. Temos, simultaneamente, apoios à modernização das empresas e à formação profissional de eficácia muito próxima de nula.

Onde estão e quem são as pessoas que criaram empresas que morreram, que tiveram centenas de horas de formação e trabalham sem eficiência?

Para nós, o facto de não existirem empresas sem pessoas, é um axioma verdadeiro em toda a sua dimensão, e os empresários e empreendedores são pessoas que, num momento da sua vida, tiveram sucesso e vontade suficiente para se aventurarem na criação dos seus negócios. Se assim é, porque razão não há sucesso nas políticas de implementação de medidas e ferramentas de gestão modernas e eficazes?

Segundo Costa Pereira (2001) só é possível caracterizar objectivamente a classe empresarial a partir dos finais do séc. XIX. Falta de espírito de empresa, incapacidade organizativa, medo de correr riscos e incompreensão dos factores estratégicos de competitividade, são as características desta nova classe emergente.

Estas características mantém-se nos anos 60 a 90 como uma indústria muito especializada e pouco balanceada, com sectores importantes que são concorrentes directos com países em fase de desenvolvimento (têxteis, calçado, conservas e pesca, por exemplo), de fraca sofisticação tecnológica, sem capacidade para conseguir ganhos de produtividade que sustentem o crescimento dos salários, sem atenção à complexidade e dinâmica da competitividade e com fraca presença de estratégias empresariais ofensivas de internacionalização.

A estes traços não é indiferente a violência das alterações do meio envolvente em que os empresários e os seus negócios passaram desde a contingência industrial do estado novo até ao mercado livre da União europeia passando pelo período revolucionário.

Se acreditamos em cultura, as palavras de Ceitil (2000) “a utilização de fundos estruturais não foi sempre acompanhada por outras opções empresariais de modo a permitir um melhor aproveitamento dos fundos, designadamente na criação de estruturas de suporte à melhor consolidação das competências adquiridas e na melhor canalização das mesmas para finalidades organizacionalmente pertinentes” parecem indicar que ainda hoje, não fosse a União Europeia.

Vivemos da necessidade de regulação e proteccionismo, de baixos salários e pouca especialização, procurando proteccionismo numa época de globalização.

As opções só podem ser, assim, a de combater o estado das coisas, aproveitando o que de positivo se tem vindo a desenvolver. Se tratamos de qualificação e produtividade, sabemos que só com o auxílio de uma formação profissional eficiente e eficaz é que podemos alterar o estado das coisas. Mas como?

Mudar comportamento e atitudes não é uma tarefa para salas de formação cheias de pessoas cansados e pouco crentes na aplicabilidade dos conhecimentos transmitidos. Os empresários, porque lutam todos os dias com um mercado para cuja abertura nunca foram verdadeiramente preparados, não acreditam na formação, ou sequer que possam vir a Ter formação.

Formacao Profissional

Relembrando os dados, a formação profissional duplicou e nesses milhares de acções foram transmitidos e apreendidos conhecimentos. Acresce que o sistema de ensino cada vez coloca mais licenciados no mercado de trabalho. Com toda esta matéria prima, acreditamos que é ao nível da organização da formação que urge alterar o estado das coisas.

Diríamos, em conclusão, que é necessário atravessar a aduela da porta entre as teorias, a prática e, sobretudo, a realidade das empresas e das pessoas. Não temos encontrado, quer nos modelos de apoio desenhados, quer nas soluções apresentadas pelas entidades formadoras, capacidade para dar mais importância aos resultados

Acreditamos que os empresários e os seus colaboradores querem fazer melhor e estão desejosos de ajuda nesse sentido. Acreditamos que cada caso é um caso, por muito que haja traços comuns às diversas realidades. Se não temos massa crítica em cada uma das organizações, temos que encontrar meios para juntar o que é comum e separar o que é único.

O recurso a metodologias inovadoras não pode ser um chavão. Para empresas pequenas, de escassos recursos, só uma combinação entre a generalidade da formação inter-empresas e a especificidade de cada uma delas é capaz de potenciar a ligação entre a teoria e a prática.

Métodos vivenciais genéricos, espaço para compreensão da especificidade, coaching na operacionalização da mudança e, sobretudo, do transfer para a realidade empresarial é a metodologia que propomos. Para passar a aduela da porta do sucesso.

FONTE: EXPRESSO.PT

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